A minha mãe serve de inspiração em diversas vertentes da minha vida: é um exemplo de força, resistência, delicadeza q.b., paciência em quantidades generosas e, acima de tudo, de amor. Ou seja: tem todos os ingredientes necessários para ser uma grande mãe e uma cozinheira de mão cheia! E, para além disso, também é inspiração no mundo dos tachos e das panelas.
É costume eu dizer que fui educada a comer de tudo e que sempre fui boa boca, mas reconheço que isso também é graças ao jeito da minha mãe para a cozinha: sempre pude provar de tudo à confiança! Hoje, quando cozinho, tenho sempre como ponto de referência o tempero e o sabor da comida da minha mãe e fico muito orgulhosa quando aquilo que faço me faz lembrar a “mão” dela. Uma das coisas que torna a cozinha tão nobre é que é algo que passa de geração em geração, algo que vamos construindo com base naquilo que nos foi transmitido pela nossa mãe, avó ou outra pessoa próxima e especial. E, por isso, para mim, a cozinha é indissociável da tradição, do amor e do espírito de união com aqueles com quem partilhamos as nossas refeições – e isso sem negar a possibilidade de mudança, de evolução e de acrescentarmos algo de pessoal e de nosso aos pratos que confeccionamos.

Peço muitas vezes à minha mãe para me fazer sopa de peixe à moda dela e acho que é a melhor sopa de peixe que alguma vez comi. É rica, cremosa, cheia de sabor e super nutritiva! E nem sequer precisa de levar batata, o que é óptimo para quem precisa de ter os hidratos de carbono debaixo d’olho (embora, pessoalmente, não tenha nada contra a batata branca com moderação – escreverei um post sobre isso em breve). Para além disso, é um jantar verdadeiramente consolador depois de um dia de trabalho (ou estudo) complicado. Melhor, só se acrescentarem uns miminhos como sobremesa (e, se calhar, uns quadradinhos de chocolate negro)!
Vamos à receita:
- 1 cabeça de peixe (ou posta; o que tiverem) – desta vez foi pescada;
- camarões (opcional);
- 1 cebola média;
- 1 dente de alho;
- ½ pimento vermelho;
- 1 tomate bem maduro ou equivalente em polpa de tomate;
- 1 courgette;
- 2 cenouras;
- 1 pedaço de abóbora;
- ½ couve-flor;
- 1 folha de louro;
- sal e pimenta q.b.;
- azeite q.b.;
- piri-piri (opcional);
- coentros q.b.
Cozer o peixe com a folha de louro, o sal e a pimenta. Reservar a água da cozedura. De seguida, numa panela, refogar o alho e a cebola em azeite. Quando a cebola estiver translúcida, adicionar o tomate e o pimento e deixar refogar mais um pouco. Adicionar os legumes cortados e deixar ganhar sabor no refogado; assim que estiverem mais coradinhos, acrescentar a água da cozedura do peixe. Depois de cozidos os legumes, triturar bem até obter uma sopa cremosa. Adicionar o piri-piri, rectificar os temperos e acrescentar o peixe e os camarões cozidos. Pode enriquecer com outro marisco e acompanhar com pão (do bem, claro). Adicionar centros a gosto e servir ainda bem quentinha. Já está!
