Na primeira vez que visitei a Suécia, em 2017, confirmei logo uma série de estereótipos sobre os suecos: é mesmo verdade que são um povo com gente bonita, organizado, amigo do ambiente, reservado, prestável… e que fazem as melhores almôndegas do mundo!

Castelo medieval em Kållandsö, na Suécia
E nem vale a pena dizerem que já comeram as almôndegas do IKEA. Não vamos confundir a beira da estrada com a estrada da Beira! O IKEA tem óptimos produtos (não fui para para escrever isto), mas não há nada como comida caseira – ainda por cima comida caseira feita com base na receita de uma avó (do meu “namorido”), que, como toda a gente sabe, são as melhores receitas. E, como não podia deixar de ser, é uma receita adaptada ao estilo de vida paleo/primal.
E agora perguntam vocês: esta receita é “a” autêntica, “a” original? Sim e não. Pensem nas almôndegas suecas como pensam num cozido à Portuguesa: há um número infinito de maneiras de preparar ambos os pratos. A receita varia de região para região, de família para família, mas a essência mantém-se. O que importa é que no fim todos cheguemos a acordo… à hora da mesa! O que escrevi quanto às almôndegas vale igualmente para o molho. Esta receita é fácil e equilibrada (e, claro, tem as adaptações do costume). Mas há muitas maneiras de preparar o molho: uns usam leite, outros usam natas, uns usam molho de tomate, para outros isso é heresia, etc. Aproveitem a deixa para acrescentar ou substituir ingredientes que sejam mais ao vosso gosto.
Uma nota final antes de passarmos à receita: as almôndegas suecas podem ser acompanhadas de diversas maneiras. Os acompanhamentos mais comuns são puré de batata (feito com natas e com uma quantidade generosa de noz moscada) ou batatas cozidas. Mas também podem servir com puré de couve-flor ou com batata doce cozida, por exemplo. Também podem acompanhar com beterraba bastante envinagrada, é excelente. E o toque final, segundo manda a tradição: doce de arando. Sim, leram bem: este prato é rico em proteína e gordura… o doce de arando não é lá muito doce, na verdade, e faz um contraste bastante interessante com os restantes sabores. Procurem uma compota de arando sem açúcar ou façam em casa com mel, é bastante fácil. De qualquer forma, não é obrigatório e a as almôndegas ficam uma delícia mesmo sem a compota! Vamos à receita:
Para cerca de 20 almôndegas
- 600 g de carne de vaca ou vitela picada;
- 1 cebola média ralada;
- sal q.b. (podem ser generosos – eu usei cerca de 2 cs);
- pimenta branca q.b.;
- 1 cs de pimenta-da-Jamaica (se não tiverem, comprem; vale a pena e é óptima para pratos de carne em geral);
- 1 gema;
- 4 cs de farinha de mandioca;
- manteiga com sal (para fritar).
A cebola deve ser ralada e não picada. Ralem-na directamente para um passador para não terem de compensar com mais farinha por causa da água que a cebola liberta. Pressionem a cebola que fica no passador com uma colher até sair todo o excesso de água. Depois, numa taça, misturem todos os ingredientes com as mãos, até ficar tudo bem misturado. Experimentem enrolar uma almôndega. Se conseguirem, óptimo! Caso contrário, pode ser preciso acrescentar mais farinha de mandioca, mas é pouco provável. Devem enrolar as almôndegas pacientemente com as palmas das mãos, levemente humedecidas, até ficarem perfeitinhas como estas:
Coloquem cerca de 2 cs de manteiga numa frigideira grande e esperem até estar bem quente (sem queimar) antes de acrescentar as almôndegas. Adicionem apenas metade das almôndegas, para ser mais fácil de fritar. Depois, vão abanando a frigideira de forma a que as almôndegas rolem e se mantenham bem redondinhas. Quando estiverem coradas de todos os lados, baixem o lume e deixem cozinhar durante cerca de 5-6 minutos (ajustem conforme o tamanho das vossas almôndegas). Retirem e reservem num prato. Repitam este passo com as restantes almôndegas.
Para o molho:
- 2 cs de manteiga;
- 150ml de natas;
- 1 cebola média cortada em meias-luas;
- 1 pitada de sal;
- pimenta branca q.b.;
- 1 cchá de polpa de tomate (opcional).
Na mesma frigideira que usaram para fritar as almôndegas, acrescentem a manteiga e vão mexendo até derreter. Acrescentem a cebola e deixem fritar até ficar com cor. De seguida, acrescentem as as natas e a polpa de tomate, bem como o sal e a pimenta. Vão mexendo até obter a consistência desejada (deve ficar cremoso). Não se esqueçam de rectificar os temperos. Já está!
Nota: também podem retirar a cebola antes de acrescentar as natas e fazer o molho, de forma a que possam servir à parte. E, claro, também podem fazer sem cebola.





Um pensamento sobre “almôndegas suecas [paleo/primal]”
Os comentários estão fechados.